Eu quero porque quero e não me importo se deva querer ou não
quero lá saber se os pés devem
andar calçados ou se podem pisar o chão
Eu quero é os meus dedos soltos no sabor das pedras do caminho
e a minha pele
talvez gretada obrigando-me a caminhar devagarinho
Quero saborear as migalhas do tempo quando eu quiser que o tempo exista
e arremessá-lo
fora das paredes do espaço quando me apetecer que se dispa
Eu quero é a minha vida solta nas minhas mãos ciganas
e
não quero saber se ela me acompanha ou simplesmente me engana
desde que me deixe sertir que eu sou eu
Quero porque querer me incendeia as veias
e quero lá saber se as labaredas queimam as teias
que o passar do tempo julga por direito semear nas paredes da alma
Eu quero é que me trespasse a chama das lanças
envenenadas
o corpo que é meu e não deixo q adormente
E quero que dos meus poros nasçam penas
e que os meus braços cresçam asas
E que ao
apodrecer no tempo a minha tez morena
os meus braços se esfumem em pequenos fios de luz serena
e eu permaneça voando
eternamente...